Os desafios de se conciliarem privacidade e transparência na divulgação de dados

Mário Sérgio Alvim
A transparência, ou seja, a provisão de informação de forma clara e confiável a clientes, a institutos de pesquisa, ou à sociedade como um todo é o objetivo de várias instituições, governamentais ou não. Por outro lado, sociedades modernas têm como preocupação fundamental a preservação da privacidade. Frequentemente, os dois princípios precisam ser harmonizados. Como exemplo, resultados de pesquisas médicas ou de censos governamentais são frequentemente divulgados para que se possam inferir informações estatísticas sobre uma população (por exemplo, a prevalência de uma certa condição médica numa faixa etária, ou o nível de escolaridade médio de um grupo). Por outro lado, não é considerado como desejável que informações sobre indivíduos específicos que participaram na pesquisa ou no censo possam ser inferidas a partir dos dados estatísticos divulgados (por exemplo, se uma pessoa em particular apresenta a condição médica estudada, ou as notas finais de um indivíduo em um curso específico). O campo pesquisa em controle de divulgação estatística se preocupa com a harmonização entre os princípios de transparência e privacidade quando da divulgação de dados estatísticos. Um problema central, amplamente conhecido na literatura da área, é que os princípios de transparência e privacidade são frequentemente conflitantes, de forma que no caso geral é preciso procurar um compromisso entre ambos. Para que tal compromisso seja efetivamente atingido é importante que os conceitos de “transparência” e “privacidade” sejam devidamente formalizados e que possam ser quantitativamente auferidos. Isto permite que garantias matemáticas claras e precisas sejam estabelecidas sobre a qualidade dos dados divulgados. Nesta palestra discutiremos os aspectos computacionais do compromisso entre transparência e privacidade no controle de divulgação estatístico.
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